A família de Almir de Brum, de 32 anos, divulgou um vídeo direcionado aos sequestradores, afirmando que está disposta a cumprir todas as exigências impostas para garantir a libertação do jovem. No pronunciamento, os familiares também pedem o envio de uma prova de vida, diante da angústia e da falta de informações concretas desde o desaparecimento.
Almir foi sequestrado ontem (21) na região de Campos Morombi, área rural situada na divisa entre os departamentos de Canindeyú e Caaguazú, no Paraguai. Filho de um produtor rural brasileiro, ele colhia soja quando desapareceu. O pai, ao perder contato telefônico no sábado, foi até o local e encontrou apenas a colheitadeira ainda em funcionamento.
O crime é atribuído ao autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), grupo guerrilheiro que atua principalmente em áreas rurais do norte e nordeste do Paraguai. Surgido no início dos anos 2000, o EPP é responsável por uma série de ataques armados, extorsões e sequestros no país, sendo considerado uma organização criminosa e terrorista pelas autoridades paraguaias. Estima-se que o grupo seja formado por cerca de 11 a 13 integrantes ativos.
No vídeo, o cunhado da vítima, Silvio Giménez, acompanhado do pai de Almir, Valmir de Brum, fez um apelo direto aos sequestradores. “Vamos cumprir com o que foi pedido, mas pedimos que enviem uma prova de vida. Almir, estamos esperando por você”, declarou a família, que também solicitou às forças de segurança respeito ao momento de dor e cautela nas ações para preservar a integridade do refém.
Paralelamente, o governo paraguaio desencadeou uma ampla operação na região. Equipes do Departamento Antissequestro da Polícia Nacional, integrantes da Força-Tarefa Conjunta (FTC) e agentes de diferentes unidades policiais permanecem mobilizados na área desde a noite de sábado. Barreiras de controle foram reforçadas e diligências seguem em curso.

O ministro da Defesa Nacional do Paraguai, Óscar González, afirmou que há “uma operação muito grande” em andamento, mas evitou divulgar detalhes para não comprometer as estratégias adotadas. Segundo ele, a prioridade absoluta é preservar a vida da vítima. Autoridades militares e policiais também estiveram com a família para prestar apoio e coordenar as ações.
Um panfleto e um manuscrito encontrados no local do desaparecimento estão sendo analisados pelo Departamento Antissequestro, e apresentam indícios de ligação com o EPP. Apesar disso, o governo ainda evita confirmar oficialmente a autoria, mantendo cautela nas investigações.
Enquanto as forças de segurança intensificam as buscas, a família aguarda, com expectativa e apreensão, qualquer sinal que comprove que Almir está vivo — na esperança de que as negociações avancem e resultem em seu retorno em segurança.


